Pontos de atenção e possíveis quebras de compatibilidade ao migrar de uma versão antiga para uma atual, organizados versão a versão, com validação antes de produção.
1. Introdução
É comum uma aplicação antiga do Elipse E3 precisar migrar para uma versão atual — por fim de suporte, requisitos de sistema ou novos recursos. A dúvida recorrente é: o que precisa ser refeito ou alterado na aplicação?
A regra geral é a retrocompatibilidade: aplicações de versões anteriores continuam funcionando em versões iguais ou superiores. Num salto de várias versões, porém, alguns recursos foram descontinuados ou removidos e outros tiveram o comportamento alterado no caminho. O quadro abaixo organiza esses pontos versão a versão, para que a revisão da aplicação acompanhe exatamente o que mudou em cada etapa.
2. Pontos de atenção por versão
Em cada versão, os itens aparecem nesta ordem: primeiro os itens que quebram a compatibilidade (deixam de funcionar e exigem ação), marcados com ● ; depois itens que podem quebrar a compatibilidade ou exigir ajuste de código/configuração, marcados com ● ; por fim os recursos novos, marcados com ●.
| Versão | Pontos de atenção e possíveis quebras |
|---|---|
| 4.7 |
● A chave de proteção passa a definir o intervalo de versões executáveis (obrigatório em licenças Runtime) — uma chave programada para a 4.6 não é reconhecida pelo E3 4.7 ou superior. ● Mudanças de comportamento em runtime: uma Associação por Tabela passa a atualizar quando a linha é alterada por script (antes não atualizava); e renomear um objeto (ex.: driver de I/O) e aplicar passa a desativar/reativar o objeto no domínio em execução (dispara |
| 4.8 |
● Mudanças de comportamento: o ● Novos objetos OPC UA (Assinatura / Tag / Bloco) — possibilitam a comunicação de tempo real via OPC UA (cliente). ● Novo ElipseX |
| 5.0 |
● Campos de Histórico e Storage viram objetos em coleção ( ● ● O alinhamento de tela passa a ser controlado por ● Novo tipo de pena no E3Chart, a pena automática: basta informar o Tag de tempo real que o E3 localiza sozinho o histórico correspondente, requisitando os dados sob demanda conforme o período do eixo horizontal — sem Consulta, ao contrário da pena histórica. |
| 5.1 |
● Novo método ● Pacote de bibliotecas: um único arquivo que agrega várias bibliotecas, criado em Ferramentas → Criar Pacote de Bibliotecas. As bibliotecas internas não podem ser editadas — o menu de contexto do pacote oferece Extrair Bibliotecas — e não podem ter libid ou nome duplicados. Trocar as bibliotecas avulsas pelo pacote não exige alteração na aplicação, mas é preciso adicionar o pacote ao Domínio e usar Registrar Bibliotecas. |
| 5.5 |
● ● ● As sessões de Studio e Viewer passam a revalidar periodicamente o usuário logado e a propagar renomeações/invalidações — a sessão de um usuário removido que continuava aberta passa a ser encerrada. ● Objeto ● Arquivamento (Shelve) de alarmes: o operador pode suprimir temporariamente um alarme por um tempo definido (norma ISA 18.2). |
| 5.6 |
● Criptografia AES-128 na comunicação entre E3 Server e clientes — quando habilitada, não é compatível com versões anteriores. ● Tags criadas por ● Grupos de usuários do Windows podem ser cadastrados como grupos do Elipse E3. |
| 6.0 |
● Mudanças de comportamento: ● Componente TrendAnalysis integrado ao E3. ● Provedor MSOLEDBSQL torna-se o padrão para SQL Server — garanta que o provider esteja instalado. Aplicações feitas em versões anteriores permanecem com a mesma configuração. |
| 6.1 |
● Valores inválidos ( ● Hot-Standby: uma única falha de ping deixa de considerar a rede fora de operação imediatamente (menos comutações desnecessárias). |
| 6.5 |
● Alarmes ganham a supressão por condição (by design), da norma ISA 18.2 — confira relatórios e consultas sobre a tabela de alarmes. ● A janela de Administração de usuários do Viewer (método ● Um usuário não administrador deixa de poder editar contas de administrador e de conceder o atributo de administrador, a si ou a outros. Procedimentos em que um operador comum criava ou promovia administradores param de funcionar — garanta que exista um administrador para essas operações. Não há opção para reverter o comportamento. ● Adicionado suporte nativo a MySQL e PostgreSQL. |
| 6.6 |
● Relatório de Seção adicionado e o objeto Relatório (antigo) marcado como descontinuado. ● Usuários e grupos do Windows apenas no formato NetBIOS ( ● A persistência do sumário de alarmes passa a respeitar o intervalo mínimo (1 minuto) — aplicações com persistência de sumário habilitada e sem intervalo configurado passam a gravar com frequência diferente (antes o mínimo era ignorado). ● Implementado o Servidor OPC UA no Elipse E3, configurado em E3Admin → Domínio → Opções… → Servidor OPC UA. Funciona apenas em E3 x64. É licenciado à parte, por número de tags UA — sem licença o servidor não é criado. ● A árvore de usuários e grupos ganha o nó raiz Permissões Padrão, herdado por todas as contas, inclusive a anônima — a permissão efetiva passa a ser raiz + grupos + conta. Em Domínio novo, a raiz já nega Editar domínio, Parar domínio, Rodar domínio e Editar/Configurar usuário; ao abrir um Domínio de 6.1 ou anterior, nega Editar Usuários, e de 6.5, não nega nada. Atenção: assim que uma permissão padrão é alterada e o Domínio é salvo, ele deixa de abrir em versões anteriores. |
| 6.7 |
● Não é mais possível inserir Relatórios antigos; o Verificador de Domínio passa a apontá-los como erro. ● Segurança: o usuário anônimo passa a ser forçado a ser tão ou mais restritivo que seus grupos, e a herança de permissões é recalculada — aplicações com acesso anônimo, ou que dependiam da resolução antiga de permissões, podem perder privilégios em silêncio. ● Alarmes: novo estado Out-Of-Service (fora de serviço), da norma ISA 18.2. |
| 6.8 |
● Estampas de tempo no SQL Server passam ao tipo ● O evento ● Consultas síncronas do E3Query passam a honrar ● Nas propriedades do Domínio (E3Admin → Configuração do Domínio → Propriedades) surge Ajuste de fuso horário nos canais de comunicação, desabilitada por padrão. Habilitada, todos os valores do tipo |
| 6.9 |
● Objeto E3Playback removido. ● Associações passam a aceitar o prefixo |
Vários desses comportamentos são configuráveis. Em E3Admin → Configuração do Domínio → Propriedades, o grupo Compatibilidade reúne opções que mantêm ou quebram, deliberadamente, a compatibilidade com versões anteriores. Depois de atualizar, revise esse grupo: é lá que se decide, por exemplo, manter um comportamento antigo enquanto a aplicação não é ajustada — e também é lá que uma opção marcada sem critério reintroduz uma quebra que você já havia tratado.
3. Itens que costumam exigir desenvolvimento
Relatórios (formato antigo) → Relatório de Seção
Descontinuados a partir da 6.6 e não podem mais ser inseridos desde a 6.7. Não funcionam na versão 64 bits. Migre para o Relatório de Seção antes de concluir a atualização — em uma versão anterior à de destino, onde ainda é possível abrir os dois formatos — e teste cada relatório na versão de destino.
Scripts, propriedades e métodos alterados entre versões
Ao longo das versões, propriedades e métodos foram criados, renomeados ou removidos, e alguns métodos tiveram parâmetros adicionados ou alterados. Por isso, depois de instalar a nova versão, recompile os scripts e rode o Verificador de Domínio para localizar associações e referências inválidas — principalmente as que apontam para propriedades ou métodos removidos ou modificados, como a propriedade ScreenAlignment e a coleção ObjectEvents (antiga Events).
Componentes ActiveX e Microsoft Forms (64 bits)
Independentemente da versão, componentes ActiveX exclusivamente de 32 bits — como o Microsoft Forms 2.0 (FM20.dll) e ActiveX de terceiros — não abrem no Studio 64 bits. Use o Studio de 32 bits (que acompanha a instalação da versão 64 bits) ou instale a versão 64 bits do componente (no caso do Microsoft Forms, o FM20.dll vem com o Office 64 bits). O E3 Viewer é sempre 32 bits.
4. Licença e requisitos de instalação
A chave de proteção (hardkey ou softkey) precisa habilitar a versão de destino (a versão atual desejada) — sem isso, o E3 opera em modo DEMO. A atualização é feita pelo setor comercial, informando o número da licença. Recursos licenciados à parte — como o Servidor OPC UA, o Storage (por quantidade de tags), os Domínios Remotos, Viewers adicionais e os drivers de comunicação — também precisam estar previstos na licença.
Os requisitos de sistema (SO, .NET e WebView2) variam conforme a versão de destino e estão descritos no artigo Requisitos mínimos para instalação do Elipse E3/Power/Water (ver Artigos relacionados). Se o upgrade falhar, feche todos os módulos do E3 e desinstale manualmente os módulos antigos antes de reinstalar.
5. Roteiro de atualização e validação
Não atualize direto em produção. Para ambientes com Hot-Standby, o roteiro recomendado é:
- Backup completo dos arquivos da aplicação (arquivo
.dom,.prj,.lib, bancos históricos e de alarmes) e tenha em mãos os instaladores Full da versão de destino e da versão anterior. - Coloque o servidor Reserva (Standby) em manutenção pelo E3 Admin (aba Servidores das configurações do Domínio). Ele se dessincroniza do servidor ativo e descarrega a aplicação — parar o Standby diretamente pararia também o servidor ativo.
- Reprograme a chave do servidor reserva para a versão de destino e instale a nova versão do E3 (parar a aplicação, fechar todos os módulos, rodar o instalador). O E3 Server irá iniciar automaticamente.
- Reavalie as configurações de Firewall e DCOM. Entre versões, módulos do E3 foram renomeados e novos módulos passaram a existir — as exceções de Firewall e as permissões de DCOM precisam contemplar os executáveis da nova versão (use o Elipse DCOM Wizard; ver “Configuração de DCOM e Firewall”).
- Tire o servidor de manutenção e aguarde a aplicação voltar ao estado Standby (ícone amarelo no E3 Admin) — não chaveie antes da subida completa.
- Execute os testes de sanidade (ver a lista de verificação ao final desta seção). Havendo problema, o servidor ativo (versão antiga) segue como ambiente seguro.
- Chaveie manualmente para o servidor atualizado (E3 Admin → Servidor → Ativar).
- Atualize todos os Viewers remotos para a versão de destino.
- Repita os passos anteriores no outro servidor (o Principal) e, ao final, chaveie de volta para ele — evita um chaveamento automático em horário inesperado.
Sem Hot-Standby
Valide em uma máquina de homologação, sobre uma cópia da aplicação, antes de ir a produção — uma chave de Studio permite executar por até 6 horas para os testes. Só então atualize o servidor de produção, em janela de manutenção.
Configuração de DCOM e Firewall
A comunicação entre servidores E3 (Hot-Standby e domínios remotos) usa o protocolo REC e não depende de DCOM. Já as conexões externas e o OPC clássico (DA) exigem DCOM e Firewall configurados — uma configuração manual. Para isso, utilize o Elipse DCOM Wizard, que ajusta as permissões de DCOM e as exceções de Firewall necessárias (ver Artigos relacionados).
Tenha os instaladores à mão (rollback)
Mantenha o instalador Full da versão de destino e o da versão anterior (mesma arquitetura, x86 ou 64 bits). Como o projeto salvo na versão nova não funciona corretamente em versões anteriores, o retorno é restaurar o backup e, se preciso, reinstalar a versão antiga com esse instalador.
Lista de verificação — itens mínimos antes de entrar em produção
Preparação
- Backup completo da versão antiga guardado (arquivo
.dom+ projetos.prj/.lib+ bancos + instalador antigo). - Requisitos de instalação atendidos (ver Artigos relacionados).
- Chave habilita para a versão atual desejada e com os recursos licenciados (Storage, Servidor OPC UA, Domínios Remotos, Viewers, drivers).
- Janela de manutenção agendada e plano de rollback pronto.
Validação da aplicação (objetos mínimos a testar)
- Projeto abre e o Verificador de Domínio não aponta erros pendentes.
- Scripts recompilam e executam; alinhamento (
ScreenAlignment),Events→ObjectEventse fontes de IOTag revisados. - Relatórios antigos migrados para Relatório de Seção.
- Históricos e Storages gravando e consultando; provider de banco correto instalado (MSOLEDBSQL / ODBC).
- Gráficos de tendência (E3Chart) plotando as penas históricas (se não desenharem após o upgrade, configure o provedor
MSOLEDBSQLno DBServer). - Servidor de alarmes e Fontes de alarme gerando, reconhecendo e exibindo corretamente.
- Funcionalidades gráficas revisadas (objetos de tela, Viewer, ActiveX).
- Bibliotecas de usuários (ElipseX) revisadas.
- Drivers de comunicação testados (comandos, leituras, versões de DLLs).
- Login, senha e permissões validados.
Comunicação e redundância
- DCOM e Firewall configurados (Elipse DCOM Wizard) para conexões externas e OPC DA.
- OPC UA (cliente/servidor) com certificados e políticas de segurança válidos.
- Redundância (Hot-Standby) e domínios remotos testados (comunicação por REC, sem DCOM).
- Viewers remotos atualizados para a versão de destino.
6. Observações e boas práticas
- Migre por cópia, sempre. O original na versão antiga é o seu rollback.
- Não pule a homologação — o risco aparece em tempo de execução, não na instalação.
- Para saltos grandes em projetos críticos, migre em etapas: bancada, turno piloto e, então, produção.
- Documente os ajustes feitos na homologação para repeti-los em produção.
Artigos relacionados
- Compatibilidade entre versões do Elipse E3
- Migração do Relatório para o Relatório de Seção.
- Relatório de Seção (E3SectionReport)
- Categoria: Relatório de Seção — diversos artigos
- Utilizando objetos ActiveX Microsoft Forms no Studio x64
- Configurações de Firewall e DCOM no Windows para aplicações Elipse
- KB-28605: Requisitos mínimos para instalação do Elipse E3/Power/Water
- Hardkey não é reconhecida e o Elipse E3 roda em modo Demo
