O panorama do mercado de automação tem se baseado, nos últimos anos, na constante evolução tecnológica e na busca da produtividade pelas empresas, fatores esses que atuam como força-motriz para um mercado que precisa investir em pesquisa e desenvolvimento para continuar a crescer.
Por outro lado, existe uma contínua pressão pela redução de custos, tanto na parte de produtos como na de serviços. Esta pressão leva à busca da melhor relação Custo x Benefício, estudando em quais tecnologias investir, pesquisando quais já se consolidaram ou ainda são promessas, ou ainda quais produtos uma empresa prestadora de serviços irá manter em sua cesta para se manter competitiva no seu segmento de atuação.
No caso específico dos sistemas de supervisão, podemos verificar alguns fatos atuais:
Sistema Operacional
A primeira conclusão a partir da análise desses fatos é a consolidação do sistema operacional Windows para os sistemas SCADA. As razões são o fato desta plataforma oferecer um nível adequado de treinamento e capacitação dos profissionais, confiabilidade, capacidade de manutenção de software e hardware, mais alternativas de "produtos de prateleira" disponíveis e diversos outros fatores, agregados a um custo compatível para a maioria das aplicações e usuários. Tenha-se sempre em mente que o objetivo é manter a produtividade e eficácia das soluções, tanto para quem compra como para quem vende.
Aliado a isto, vemos o Linux como uma alternativa interessante quando os seus fatores negativos, especialmente no que tange à capacitação dos profissionais e à manutenção, são eliminados ou suprimidos. O uso do Linux ou de um Java atuando como um servidor web dentro de um PLC é um exemplo, pois está restrito a uma certa plataforma. Entretanto, sempre devem ser estudados diversos pontos como a conectividade, flexibilidade e produtividade.
Arquitetura
Definida esta estratégia de mercado, e passando às questões sobre novas possibilidades de uso dos sistemas SCADA, vemos que a arquitetura passa a ser importante quando podemos incorporar esses novos usos com maior ou menor grau de flexibilidade, sem sacrificar a performance nem o tempo gasto para configuração.
O uso efetivo de redes sem-fio, por exemplo, parte do pressuposto de que a interface com o usuário através de um PocketPC com seu servidor SCADA deve ser rica o suficiente para fornecer informações gerenciais sobre o processo e, ao mesmo tempo, leve o bastante para ocupar o mínimo de banda possível da rede, além de aspectos de segurança que não podem – nem devem – ser negligenciados.
Protocolos
O uso de protocolos abertos, além de uma exigência de mercado, se tornou uma questão estratégica para a redução de custos de integração, obtenção de dados mais confiáveis e também de redução no tempo de configuração dos aplicativos. Isso porque devemos considerar não só a possibilidade de ser compatível com determinado protocolo, mas de utilizá-lo da melhor forma possível dentro do sistema SCADA. Sendo assim, questões como auto-configuração e sincronismo de bases de dados entre dispositivos e softwares devem ser considerados para se obter mais benefícios de uma arquitetura aberta.
Web
A próxima questão sobre arquitetura que vem à tona é como disponibilizar os dados para acesso através da web. Muitas tecnologias já foram usadas em diversos produtos, sendo as principais baseadas em Java e em objetos ActiveX. A mais nova possibilidade é o uso da tecnologia .NET, da Microsoft.
Via de regra, é necessário que a página web que será vista pelos usuários no navegador de Internet contenha um componente de software conhecido como plug-in, para que os processos de animação gráfica e outras tarefas de segundo plano – como a notificação de mudança de valores nas variáveis de campo –, ocorram de forma espontânea, sem a solicitação do usuário, visto que os formatos de hipertexto das páginas web, como HTML, ASP e PHP, não permitem este comportamento sem o uso de tais componentes.
Dessa forma, alguns softwares SCADA se propuseram a realizar conversões entre os formatos de telas e seus objetos para um outro padrão, que pudesse ser entendido pelo seu componente Java ou ActiveX no navegador, visto que nem sempre é possível que o mesmo formato seja utilizado em ambos os casos. Existem, porém, outros problemas, como o fato de que scripts baseados em VBA (Visual Basic for Applications) não podem ser executados nos navegadores disponíveis, o que faz com que as telas convertidas para a web nem sempre funcionem da forma original.
Outras soluções, como é o caso do E3, da Elipse, partiram do princípio de que o mesmo formato de tela pode ser usado tanto no cliente do SCADA, em Windows, como no navegador – o que evita as conversões de formato –, além de usar scripts baseados em VBScript que podem ser executados em ambos os ambientes.
Entretanto, o Java e o ActiveX possuem restrições. O Java requer que um runtime, capaz de interpretar o código em execução, esteja instalado na máquina-cliente. Este fator causa quedas de performance, conforme relatado por alguns clientes, justamente pelo fato de ser interpretado e não compilado. Já o ActiveX só funciona, sem ressalvas, dentro do ambiente Windows e para o Internet Explorer, o que pode ser problema para clientes que utilizam outros navegadores.
Quanto à parte de comunicação, tanto o Java como o ActiveX utilizam a troca de mensagens via modelos como o Corba ou o DCOM via TCP/IP para obter as telas de seus servidores e receber as notificações de mudanças de valores. O ActiveX, porém, possui um agravante pois, como é baseado na tecnologia COM (Component Object Model) e sua variante distribuída DCOM da Microsoft, possui diversos problemas de tráfego através de firewalls, uma vez que o DCOM utiliza portas aleatórias para troca de dados. Uma solução para isso seria adotar um protocolo próprio para troca de dados na rede, baseado em TCP/IP puro, o que é bastante complexo.
.NET
A plataforma .NET propõe resolver essas questões de duas formas: criando um ambiente de desenvolvimento único, tanto para Windows como para a web, através dos produtos Windows Forms e Web Forms®; e uma troca de dados através da web baseada em XML, que é um formato de texto estruturado que pode passar através de qualquer firewall. Além desses dois fatores, o .NET oferece um novo mundo de possibilidades através da integração de serviços dinâmicos pela web, reutilização de componentes e criação de portais corporativos, como o SharePoint Server, permitindo que se chegue a um nível de evolução e integração nunca visto antes, sempre mantendo o foco na questão da produtividade e custo total de propriedade das soluções.
Além disso, o .NET permite que várias linguagens de programação diferentes sejam usadas no mesmo programa (ex: C++, VB, C#, Fortran...), o que até hoje não é possível com outras tecnologias.
Figura 1 - Estrutura do .NET Framework
No entanto, alguns usuários se mostram um pouco resistentes ao uso do .NET visto que, assim como o Java, é necessário instalar um interpretador (.NET Framework) na máquina-cliente, para que o código .NET seja executado. Entretanto, pensando a longo prazo, quando todas as novas instalações de Windows já possuírem o .NET Framework como padrão, este fato terá menor importância.
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PLATAFORMAS |
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Características |
Java |
ActiveX |
.NET |
| Ambiente | Qualquer sistema | Windows | Windows, porém os serviços XML podem ser usados por qualquer sistema. |
| Componentes necessários | Java Runtime | Internet Explorer ou outro Container | .NET Frame Work, Internet Explorer |
| Execução | Interpretado | Compilado | Pré-interpretado, uso do CLR - Common Language Runtime |
| Troca de dados e modelo de objetos | Corba, TCP/IP | COM/DCOM, TCP/IP | Web Services em XML e TCP/IP |
| Linguagem de programação | Java | C++, Visual Basic, Delphi | C++, Visual Basic, C#, Pascal, Fortran, Java, ... |